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Photo AlbumAstronauta na P-33 (14 photos)Aug 22, '07 7:37 PM
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Foram 93 horas e 30 minutos à bordo. Umas 20 refeições muito calóricas ingeridas. Uma junta de expansão não-metálica de 2 toneladas instalada com sucesso. Muitos contatos profissonais feitos. E finalmente encontrei aquele tal horizonte distante que queria ver...

Detalhe: é terminantemente proibido tirar fotos, mas... Quem tem padrinho não morre pagão. O fato é que, mesmo apadrinhado, precisei fotografar sempre na encolha, nem sempre, portanto, conseguindo as melhores imagens.

Blog EntryDiário de bordo na P-33Aug 21, '07 1:06 PM
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Data estelar: 69 horas e 30 minutos após o embarque

Comprimento do navio-plataforma P-33: 335 metros

Peso do navio-plataforma: milhares de toneladas mais os quilos que engordei

Mulheres bonitas à bordo: uma e olhe lá...

Número de sunsets assistidos: 3 (afinal, qual é o plural de "pôr do sol"?)

Tempo máximo de internet à noite: 45 minutos

Pessoas roncando no meu camarote: 2, sendo uma em Lá maior e outra em ré menor

Funcionários sob minha "supervisão": 4 (iiiiihhhh, vai dar merda isso...)

Peso da peça que viemos instalar: 2 toneladas

Preço de venda para a Petrobras: muitos e muitos Reais, senão eu não vinha pra cá...

Quando vou embora: amanhã (tomara!)

Placar à bordo: 0x0 magro

Fim da transmissão.


Blog EntryP-33Aug 19, '07 7:25 PM
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Eu queria ser astronauta quando era criança. Bem criança mesmo. Depois, mudei de idéia para arquiteto. Depois para professor. E, quem diria, agora, como administrador eu viria à bordo da Plataforma P-33, na Bacia de Campos, chegando o mais perto de ser "astronauta" do que imaginei antes.

É isso aí. A P-33 é um navio-plataforma dos mais antigos da frota, embora muito eficiente. E a analogia é mesmo essa: uma plataforma no meio do mar é como se fosse uma estação espacial em órbita. A estrutura de uma plataforma é assustadora pela complexidade e ao mesmo tempo bela pela obra de engenharia que representa. Exatamente como uma estação espacial. A plataforma "orbita" ao redor do riser de perfuração, de onde vem todo o petróleo bruto extraído da jazida à 1.800 metros de profundidade. E balança, balança muito aqui. Ossos do ofício.

Cheguei de helicópetero. Primeira vez. Mas isso eu conto depois. A plataforma é que é o bicho. Sim, eu sei, algumas partes são insólitas. Tá bom, meu camarote tem mais sete pessoas que nem conheço ainda. E, ainda assim, é bem melhor que aquele alojamento das férias do CLU do ano passado. Que mais... er... Ah! Lembrei! Só trouxe três míseras cuecas. E daí? Eu posso lavar no banho. Posso?

Qualquer pessoa à bordo deve trajar um macacão cor de abóbora na área externa. O meu tem dois tons de abóbora e um bordado escrito BALG. Imaginem vocês dançar música irlandesa nesses trajes? Mulheres à bordo??? Talvez dez entre os duzentos tripulantes machos. Uma delas, pelo menos, é linda (pasmem!) e tem 25.

Mas, er... voltando ao trabalho: a internet é velossíssima aqui. Só que precisa reservar e tem fila. Muita fila. À noite as pessoas assistem TV, jogam baralho, fazem hidro na piscina ou ginástica na academia. Outras trabalham nesse turno. Ah, existe ainda uma quadra de futebol à bordo, à meia-náu do convés principal. Quase um hotel. A comida é farta e servida 5 vezes ao dia em horários incríveis.

Na proa da embarcação existe o flaire ou queimador, que é uma lança comprida que expele os gases gerados no processo e que são queimados lá na ponta, a 30 metros de altura do convés, como se fosse um charutão gigante cuspindo fogo e mais alguma fumaça residual. O fogo é justamente pra consumir esse gás indesejado. Pois então: subi lá hoje e não havia ninguém por perto. Apesar de eu não ter gritado "I am the king of the world!" a la Leonardo Di Caprio, foi um momento Titanic.

E quanto às estrelas? Estão no céu como sempre estiveram. Acontece que agora elas parecem espiar a gente aqui embaixo. E como é belo observar o pôr do sol de macacão laranja... Como é tranqüilizante olhar ao redor e perceber mais dez ou quinze plataformas da Petrobras extraindo petróleo do fundo do oceano. Tranqüilizante não pela questão da auto-suficiência ou nada disso. É tranqüilizante pela evidência da minha pequenez nesse giro. O que são minhas lamentações? O que é minha dor que lateja diante desse universo?

Sentir o oceano em volta e somente as estrelas sobre a minha cabeça, com tanta gente mais trabalhando aqui, com inúmeros assuntos e questões a resolver, mostram-me simplesmente o óbvio: sou apenas uma gota d'água doce nesse imenso mar de ouro negro incrivelmente abundante.

 



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