Éramos meninos e ansiávamos por uma visão assim:
Que convergisse as estrelas, que abarcasse o brilho da lua,
Resfolegasse como a espuma branda que as ondas criam sem violência nos dias de chuva
Tocando de leve os pés, gelado da espinha à nuca, trazendo versos sussurrados de Janaína.
Nem a espera do mar pelo caminho de prata da lua azul era maior que a nossa, de meninos, por Janaína.
Faz anos ocorreu que Janaína não vem. Está para muito além do horizonte imaterial.
Mas aquela aparição misteriosa – que fixou o tempo, exalou brisa perfumada e nos soprou o marulho dos riachos nos seixos –, aquela aparição fresca, vivaz, explode em cada sombra de luar. Em silêncio escondidos, clamamos latejando um improvável regresso.
[Gustavo Bravo]