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Blog EntryAs pessoas que não bebem (e a famosa saideira)Sep 29, '07 4:40 PM
for everyone
Antes de mais nada quero me posicionar aqui. É público e notório que estou em cima do muro; ora não bebo, ora bebo. Outros dizem que finjo que bebo, mas isso já seria outro tópico.

Sim. É verdade que há pouco tempo eu preferia as chamadas bebidas de mocinha: smirnoff ice, coquetel de frutas, batidas doces e similares. Hoje, por causa das (más) companhias é cerveja mesmo. De garrafa. Ou chopp. E daí mudou minha percepção: as pessoas que não bebem não sabem o que estão perdendo.

Não chega a ser fuga da realidade o ato de beber. Talvez a cocaína o seria. O álcool bem dosado (ou um poquinho além da conta que não mata ninguém) é um anestésico para as nossas vidas cansativas e proporciona aquela diversão extra. É garantia de algum prazer. Põe graça onde não teria. Homogeniza um grupo heterogêno. Agrega e pronto. Não dá pra discutir isso, Pablo.

Confesso que ainda não gosto do gosto em si da cevada. Mas estamos a caminho. E dá-lhe Farani. As pessoas que não bebem não conseguem acompanhar os assuntos da mesa. Ficam sem graça, sem sentido. E falo isso de carteirinha. A gente fica olhando o pessoal bebendo e fica pensando (eu ficava): "cambada de bebum, que não têm mais o que fazer, e que não conseguem se divertir sem álcool... Cambada de loosers!" Eu realmente achava que não precisava de álcool pra me divertir. E não preciso.

Mas pra que abrir mão de recurso tão popular, relativamente barato, quase inofensivo? Pra que abrir mão da oportunidade de achar mais graça ainda das coisas já engraçadas? É assim que penso. Álcool tem que ser o bônus da social. A social não deveria depender dele e sim melhorar por causa dele.

Mas odeio a saideira. O-dei-o. Ninguém merece. A saideira é uma coisa infinita. Sempre vai haver mais uma. E quando as pessoas da mesa pedem pro garçom uma rodade de saideira na faixa? Sempre o mesmo filme. O garçom diz que não dá, a mesa insiste, fica aquele lenga-lenga, chove-não-molha. Aff... Acho que é trauma de infância. Eu saía com papai, lá com 10 anos de idade, com os amigos dele, e ficava louco pra voltar pra casa e jogar video game. O velho super nintendo. Só que papai tava entredido no chopp com os amigos. E depois de insistir muito pra embora é que os coroas ensaiavam pedir a saideira. Seria, então, a primeira saideira: "Meu filho, nós já vamos... Papai está pedindo a saideira". E depois haveria de haver uma segunda. E a terceira.

Puta que pariu. Com mamãe era a mesmíssima coisa. Um milhão de saideiras. Tomei raiva da dita cuja. Hoje peço "a última". Não consigo usar a palavra saideira. Fico com medo das outras pessoas da mesa pedirem a segunda saideira, depois outra, e mais outra e eu nunca poder chegar em casa. O medo é esse: nunca chegar em casa. Não voltar. Não dar tempo de fazer as outras coisas que preciso. É pressa de viver ou morrer.

Um brinde a todos!


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