Bom... Mais de três meses depois já deu pra ter uma boa idéia do que é morar sozinho. E, em particular, deu pra ter alguma idéia da GRANDE diferença entre morar sozinho e morar sob os pais (isso mesmo, digo SOB os pais e não COM os pais).
Antes de mais nada: nada contra morar com os Pais. Tem gente que prefere, mesmo podendo morar sozinho. Respeito. Também eu preferia assim antes. Mas somente quem já experimentou as duas circunstâncias é que pode falar com alguma propriedade. E, vejam só, agora faço parte justo desse segundo grupo.
Com os Pais tem-se tudo, né? Peeeemmmmm! ERRADO! Tudo, menos liberdade. E qual o preço disso? Bem, tirando os muitos Reais, não tem preço. Todo mundo sabe que isso não tem preço. E nem me venham com aquele papo de que "depende do tipo dos Pais". Por mais "liberais" que eles sejam, a casa é e sempre será deles. A gente mal percebe o quanto isso nos oprime. Oprime a alma. Até experimentar a liberdade fora da gaiola. Como passarinho. Periga não saber chegar longe.
Sinceramente, descobri que eu não era eu mesmo há meses atrás. Meu comportamento era decisivamente determinado pela circunstância da contingência domiciliar. Restrições comportamentais afetam nosso cérebro, nosso humor, nosso dia-a-dia, nossa percepção de felicidade, de plenitude, de auto-estima. E vai escrevendo o futuro, e muitas vezes um futuro que não queremos. Pelo menos era assim comigo. E só consigo enxergar isso agora, porque tô olhando com calma. Naqueles tempos eu até sentia algum incômodo, mas não via o tamanho da opressão. Só parte. E, por melhor que sejam os pais, como os meus eram e são, a casa era deles. Acontece que a culpa não é deles, nem de ninguém. Não são eles que nos oprimem, mas sim a circunstância. Pela hierarquia também.
Talvez seja culpa até da nossa cultura, dentro da qual é normal morar com os pais até perto dos 30, às vezes mais. É tipo ficar no ninho: sob a estrutura do lar, às expensas dos pais já estabelecidos (em particular no caso típico da classe média), sob o carinho da mãe e pai. Só que isso pode prejudicar nossa capacidade de voar sozinho. Daí as asas atrofiam.
E o problema é que a a vida já nos cobra esses vôos solos desde bem mais cedo. A vida nos cobra posturas, decisões, nos combra uma compreensão, um autoconhecimento que talvez só sejamos capazes de obter na experiência de estar by ourselves. Nesse ponto, vejo que morar com os Pais retarda nosso amadurecimento. É um cordão umbilical que demora demais pra ser cortado.
Morando sozinho, a gente sabe, tem-se todo o ônus. E não falo nem tanto da louça ou das contas (que também têm seu papel de importância). Falo sobretudo da parte psicológica, ou seja: "Amigo, a casa é tua, se vira pra esta porra funcionar! Não tem mais ninguém pra limpar tua fralda de manhã ou medir tua febre de noite" A decisão agora é só tua. Isso faz crescer, mesmo que na base da porrada, às custas de decisões erradas.
Solidão? Que nada. A minha casa é pra onde vou quando quero ou preciso ficar sozinho. As pessoas pra interagir? Ué... basta sair de casa e ir ao encontro delas. Farani tá aí pra isso, né Filipe? Dá até pra receber amigos de vez em quando. O importante é que tem-se o próprio espaço. Tem-se a opção de ficar sozinho sem ter que sair da "própria" casa. Ganha-se autoestima: "Sou dono da minha casa! Eu tenho talheres! Xícaras! Computador só meu! Paredes pra botar MEUS quadros! Meu próprio detergente! Meu sofá!"
Contudo, sei que é bem cômodo escrever isso aqui uma vez que eu tive a sorte da opção financeira de morar sozinho. Só espero que aqueles que já poderiam tomar essa decisão e não o fazem, e também aqueles que pretendem retardar ao máximo a saída de casa (em particular demorando pra mergulhar no mercado de trabalho de fato, à vezes "em prol da infinita qualificação acadêmica"), levem em consideração o desabafo aqui. Eles expressa minha humilde opinião, colocada do jeito que a Taci me ensinou: com firmeza e aspereza.
eu tenhu mt vontade de morar sozinho... mas sinto esse medo ae de: "vai depender de mim!" eheh! talvez ano q vem eu divida um apto com um amigo meu... pq naum tenhu grana pra bancar tudo sozinhu... até teria se pedisse pros meus pais... mas achu q essa naum é a ideia! heheeh!
mas eu ainda acho q dá pra achar seu espaço dentro da casa do pais... é mais chato, claro... mas tipo, vc ta sempre dividindo sua vida com alguem... pais, namorada, esposa, filhos... vc tem q arrumar um jeito de ter seu espaço dentro disso... são pokas as pessoas q conseguem o q vc conseguiu, morar sozinho sozinho msm... só vc! a maioria pula dos pais pro casado... ou pra morar com um amigo!
achu q vc tá aprendendo e vai aprender bastante aidna com essa experiencia! =)
sim, sempre é preciso dividir o espaço, seja em casa ou fora dela (trabalho, amizades, etc.)
mas quando falo da gaiola da casa dos pais é que eles resolvem tudo pra gente sem a gente perceber...
tem coisa que a gente sabe que eles resolvem e tem coisa que a gente nem sabe que existe pq eles tb resolvem..
e daí, qdo a gente se vê morando e resolvendo tudo sozinho a gente descobre que "existem mais coisas entre o céu e terra do que a gente podia imaginar"...
Talvez seja culpa até da nossa cultura, dentro da qual é normal morar com os pais até perto dos 30, às vezes mais.
Já avisei pra todo mundo aqui que, aos vinte, se ainda não tiver saído, eu troco a fechadura. Bem, eu tinha falado dezoito, mas aí o Luigi pediu pra aumentar dois. De vez em quando a Maria Clara pergunta se ela vai poder morar comigo caso não encontre ninguém pra morar com ela (ahahahhahahah ela tem DEZ anos! Onze em fevereiro!). Eu digo que vai, sim. Mas acrescento que acho que ela não vai me agüentar tanto tempo.
"Amigo, a casa é tua, se vira pra esta porra funcionar!
Então vou tornar pública uma situação privada. Eu tinha acabado de completar 21 quando mudei pra SPaulo, e, se morar sozinho pode ser difícil, morar numa cidade estranha e sem conhecer ninguém é, no mínimo, foda. Aí um dia eu liguei pra casa (de orelhão, lógico. Naquela época não tínhamos celular...e eu estou falando de dezessete anos atrás...) e, quase chorando, falei pro meu pai..."Pai, eu acho que vou voltar". Meu pai é o cara mais simpático do mundo. Gente boa, mesmo. Não é rígido, nunca brigou nem comigo nem com minha irmã, o tipo de sujeito que não tem quem não goste. Do outro lado da linha ele falou "Não. Você escolheu ir, agora vai ficar aí. Você fica aí." Não sei de onde ele tirou isso...o mesmo cara que ia buscar a gente na balada no meio da madrugada, que sempre fez de tudo pra nossa vida ser confortável...Eu não fiquei braba nem nada, só suspirei e fiquei. Ainda bem.
putz, essa história de morar fora de casa.... isso passa pela minha cabeça 300 vezes por dia! concordo que um grande problema seja a nossa mentalidade de acomodados mesmo, mas outra parte do problema é mesmo a falta de grana pra se bancar... e esse nosso mercado de trabalho maravilhoso só assusta!
outra parte do problema é mesmo a falta de grana pra se bancar
Com certeza isso é um dos problemas centrais. Uma possibilidade pode ser dividir com 2 ou 3 amigas. Eu acho que é uma sitiação intermediária entre a casa ser só sua e morar com os Pais. E essa situação já deve ajudar em muita coisa, como mostrar coisas da vida que nossos pais não nos mostram. E essas coisas mexem com nosso humor. Um encanamento estourado na véspera de sair para uma festa é foda, né? Pois é. Mas é real. A vida é assim. Se a gente só descobrir isso quando estiver casado, acho que é pior.
Escrevi esse post aqui sobretudo pra dizer que eu sou, por dentro, outra pessoa. Sou muito mais feliz, mais consciente da realidade, menos inseguro nas coisas em geral. Menos dependente emocionalmente.
Afinal eu administro sozinho uma casa. E, diga-se de passagem, as visitas não reclamam... hehehe
putz, essa história de morar fora de casa.... isso passa pela minha cabeça 300 vezes por dia! concordo que um grande problema seja a nossa mentalidade de acomodados mesmo, mas outra parte do problema é mesmo a falta de grana pra se bancar...
Vou concordar com a Júlia... basta colocar as contas na ponta do lápis pra se encher de ternura e paciência com a própria família... auhauhauhauahuhua...
Quando a Cris voltar, vc muda pra SPaulo e vcs podem morar juntas. Aí nós abrimos um escritório de Soluções de Crises para caso de comoriência + Investimentos Financeiros e hipotecas + Articulação e discurso histórico-político (com uma inovadora metodologia baseada em resumos)
Se a Polly mudar também nosso escritório pode contar com Avaliação e Metodologia (descobertas de casos de fraude em pesquisa e novas ferramentas para o sucesso no ensino público).
entaum eu vou fazer clube dos meninos com o dot, o bern e os otros "amiguinhus" q eu nunca vi na vida a naum ser aki no multiply...
e ae um deles vai sonhar com isso tb! (tomara q naum seja eu, pq ficar sonhando em morar com um bando de homem é um poko "dumbledore" demais pro meu gosto...)
ae a gente vai queimar ar-condicionados e colecionar varios pos-doc juntos! U_U
se vc quiser te contro outros detalhes do sonho pra vc imitar também. tipo, a polly nao tinha fala no meu sonho. a julia ocupava todo armario, me deixava uma portinha e me dizia "tranquila, cris, cabe tudo ai". e a gente tinha um peixe exotico no banheiro. e um urso polar no jardim (o jardim tinha resfriamento pro pobresinho. essa parte eu mostrava toda orgulhosa pra minha mae e pra minha irma...) pronto. agora vc pode fazer teu clube!
Sei, aquele jantar combinado no meu post. Responde la que eu vejo amanha. E coloca alguma coisa no pato. Hoje nao tem nada de novo... Bj! Bom jantar! E um beijo pro fisico-legal!
cris, adorei teu sonho! huauhauhahua! mó lokura! com pollys q naum falam (concordo com o bern! huauha), peixes exóticos e ursos polares em jardins com resfriamento! aahuauhauh!
taci, me sinto protegido depois dessa sua frase de "mexeu com vc, mexeu comigo"! =) vou começar a proibir as pessoas de me chamar de tio tb! (sim, algumas já chamam... ¬¬)
naum sei pq cris, mas me parece mt mais plausivel vc ter um urso polar do q a polly naum falar... ¬¬
olha só, assim não vale! Juntar Pablo e Bernardo pra me zoar é sacanagem! Eu não falo demais! Eu falo demais? Claro que não, porque eu tô perguntando se eu falo demais se eu sei que eu não falo demais!? Eu sou uma pessoa extremamente suscinta e coesa! Isso tudo é intriga da oposição, coisa de gente que passa o dia tocando violão e não escuta nada do que eu falo! Aí quando eu sou orbrigada a repetir reclama que eu falo demais! Ou então pode ser tambhém coisa de gente autista que não escuta nada que eu falo só porque não presta atenção mesmo! E depois reclama, reclama, reclama!
Agora... sobre morar sozinha... Eu nunca morei sozinha, sozinha. Mas saí de casa com 17 anos. Quem me conhece desde aquela época (daqui só o Pablo mesmo, acho) sabe o quanto foi difícil pra mim. Na primeira semana eu fiquei doente, caí de cama, achei que ia morrer. Chorava todo dia, mas nunca, em nenhum momento, nem por um segundo eu cogitei a idéia de voltar a morar com minha mãe. Eu sou extremamente acomodada, acho que poderia estar muito melhor do que estou se me mexesse mais, talvez eu estivesse até mesmo morando sozinha de verdade, sem roomates pra perturbar, mas eu to meio estagnada. Só sei que morar com família nunca mais.
Preciso aprender a lidar com essa fase difícil e tocar a vida pra frente. Sozinha, sem dinheiro, com vontade de matar as coleguinhas de casa, mas contando com a confiança que minha mãe tem em mim. Porque é isso que me mantém aqui, a mesma confiança que o pai da Taci teve nela, eu acho.
Enfim... desculpem se falei demais (eu nunca falo demais, humpf!). Eu me inspirei pelo comentário da Taci e resolvi tornar pública minha situação (não tão) privada também.
Por falar nisso... Já que provavelmente a gente vai se ver domingo no seu show, você podia levar o cd com winds of may pra mim, né? eim? eim? Eu gostava dele... Grava aí pra mim!
Vou tentar convencer a Tchonga a ir também, o David já disse que vai!