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 Eu vi. Ele aprumou. Foi voltando de helicópetro da P-33 para a base aérea em Macaé que eu vi pela primeira vez o horizonte distante. Não porque vi com meus olhos, mas sim porque também o senti. Porque pude enfim perceber seu real significado.
Vi a dobra do mar ao fundo encontrando o céu azul. Aquele mesmo céu azul que eu disse ter poder. O mar e o céu juntos. Nada de montanhas, nem nuvens, nem construções humanas. Nada à vista. Somente dois tons de azul se confundindo na alvorada e paquerados por um pássaro de asas mecânicas girantes. Eu dentro.
Com os ouvidos tampados pelo plug auditivo protetor não se escuta bem os sons de fora. E aí magnificam-se os de dentro. Ouve-se clara e pausadamente a própria respiração. Quase uma conversa íntima com o próprio diafragma. Escuta-se os próprios pensamentos. A pulsação. Uma introspecção circunstancial absolutamente imperativa. Inexorável. Como se naquele instante só existisse eu e o horizonte. Senti como se ele me olhasse, como se me investigasse. Senti-me invadido pela imensidão azul. Invadido pela beleza infinita como talvez jamais antes. Um momento infinito.
Sinto-me tranqüilo, sim. Tranqüilo ainda com trema. Mas sem tremor. Sem temor. Sem rancor algum. Sem dor. Cheio de cor. Cheio de cor como talvez jamais antes. Deve ser o amor. Porque através eu vi. Através do horizonte. O amor é luz. A luz que faltava e agora me ilumina o passo. Avante, tu, homem!
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